Popularmente conhecido como Castelo de D. Chica, este palacete extravagante representa o culminar do ecletismo romântico da Belle Époque portuguesa. Desenhado em 1915 pelo arquiteto suíço Ernesto Korrodi para habitação de J. Ferreira do Rego e sua mulher, a brasileira Francisca Peixoto Rego, o projecto integra-se na tipologia da "Habitação Nobre de Província" que evocava a arte medieval e a viv…
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Popularmente conhecido como Castelo de D. Chica, este palacete extravagante representa o culminar do ecletismo romântico da Belle Époque portuguesa. Desenhado em 1915 pelo arquiteto suíço Ernesto Korrodi para habitação de J. Ferreira do Rego e sua mulher, a brasileira Francisca Peixoto Rego, o projecto integra-se na tipologia da "Habitação Nobre de Província" que evocava a arte medieval e a vivência social que a burguesia triunfante do século XIX procurava reabilitar, alicerçando-se simultaneamente na tradição e no progresso.
O edifício de quatro pisos desenvolve-se num jogo acentuado de volumes e enorme diversidade de materiais e linguagens, amalgamando neogótico, neoárabe, neorenascentista, neoclássico e elementos rústicos. O motivo decorativo da folha de hera repete-se simultaneamente nos gradeamentos de ferro e em molduras de mármore, enquanto rosáceas geometrizadas adornam os fechos dos arcos ogivais.
O conjunto inclui lago, gruta e canais artificiais no jardim romântico. As telhas verdes, "assinadas" por Korrodi, fingem integração na paisagem que o restante edifício deliberadamente recusa. A construção, interrompida em 1919, deixou a obra incompleta, particularmente o espaço interior. Apesar das diferenças entre projecto e execução, o palacete materializa a persistência do gosto ecléctico que permitiu a Korrodi concretizar a sua "Habitação Nobre" ideal.
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