Entre os ribeiros do Vidoeiro e do Calvão, na confluência de ambos com o rio Terva, estende-se um dos mais notáveis testemunhos da exploração mineira romana na Península Ibérica. Junto da estrada romana que ligava Chaves a Braga, este complexo mineiro de cerca de 40 hectares revela o impacto colossal da extracção de ouro em época romana, cuja transformação radical da paisagem e topografia perma…
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Entre os ribeiros do Vidoeiro e do Calvão, na confluência de ambos com o rio Terva, estende-se um dos mais notáveis testemunhos da exploração mineira romana na Península Ibérica. Junto da estrada romana que ligava Chaves a Braga, este complexo mineiro de cerca de 40 hectares revela o impacto colossal da extracção de ouro em época romana, cuja transformação radical da paisagem e topografia permanece visível dois milénios depois.
O conjunto estrutura-se em três núcleos principais: Poço das Freitas, Batocas e Brejo. O Poço das Freitas, no limite sul, destaca-se como a maior corta deixada pelos romanos, com cratera frequentemente inundada de aproximadamente 100 metros de comprimento. Diversas cortas de extracção a céu aberto e galerias subterrâneas que auxiliavam o remeximento dos solos completam o sistema de exploração. Nas imediações subsiste o habitat do Carregal, imediatamente abaixo do Poço das Freitas, onde vivia a mão-de-obra envolvida na extracção, hoje dificilmente detectável pela densa vegetação que cobre a zona.
A importância do complexo transcende o passado: análises recentes estimaram o potencial mineiro em aproximadamente 7,1 toneladas de minério, suscitando projectos de reactivação que conjugam exploração moderna com valorização turístico-cultural. A autarquia de Boticas apoia a criação de centro de interpretação e percursos pedonais que ligam o passado romano ao presente, consolidando este sítio como elo vivo entre herança patrimonial e desenvolvimento sustentável.
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