A Igreja Matriz de São Julião, localizada na histórica Praça do Bocage em Setúbal, é um testemunho arquitetónico das transformações religiosas portuguesas entre os séculos XIII e XVIII. Fundada originalmente por pescadores na segunda metade do século XIII, a igreja manteve uma ligação próxima com os Duques de Aveiro, tendo sido quase uma capela privativa da família.
A construção atual…
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A Igreja Matriz de São Julião, localizada na histórica Praça do Bocage em Setúbal, é um testemunho arquitetónico das transformações religiosas portuguesas entre os séculos XIII e XVIII. Fundada originalmente por pescadores na segunda metade do século XIII, a igreja manteve uma ligação próxima com os Duques de Aveiro, tendo sido quase uma capela privativa da família.
A construção atual resulta de múltiplas reconstruções após terramotos devastadores, nomeadamente em 1531 e 1755. A intervenção mais significativa ocorreu durante o reinado de D. Manuel I, entre 1516 e 1520, com projeto atribuído ao arquiteto João de Castilho. Desta fase manuelina preservam-se dois portais notáveis: o principal, a oeste, e o lateral norte, considerados exemplos importantes da arquitetura da época.
O interior apresenta três naves com arcos redondos sobre colunas de secção quadrada e capitéis jónicos. Destaca-se a decoração em azulejos pombalinos do final do século XVIII, com painéis que retratam a vida de São Julião e Santa Basilissa. A igreja guarda ainda elementos artísticos relevantes, como uma tela de Pedro Alexandrino e uma tábua da Criação do Homem, atribuída à oficina de Gregório Lopes.
Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a Igreja de São Julião continua a ser um importante centro paroquial e espaço cultural em Setúbal.
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