No centro histórico de Lagos, o antigo Mercado de Escravos revela uma das páginas mais complexas da história portuguesa dos Descobrimentos. Construído em 1691 por iniciativa de D. Francisco Luís da Gama, o 2º Marquês de Niza, o edifício situa-se num dos vértices da praça principal da cidade, defronte da igreja Matriz.
A estrutura arquitetónica desenvolve-se em dois pisos, com uma fach…
see more
No centro histórico de Lagos, o antigo Mercado de Escravos revela uma das páginas mais complexas da história portuguesa dos Descobrimentos. Construído em 1691 por iniciativa de D. Francisco Luís da Gama, o 2º Marquês de Niza, o edifício situa-se num dos vértices da praça principal da cidade, defronte da igreja Matriz.
A estrutura arquitetónica desenvolve-se em dois pisos, com uma fachada simétrica e racionalizada. No piso térreo, uma ampla sala serve atualmente como galeria de arte, enquanto o andar superior albergou a Alfândega de Lagos até 1820. Um nártex de dupla arcaria, ainda com características maneiristas, marca a entrada principal, protegido por grades de ferro.
O edifício não é apenas um monumento arquitetónico, mas um espaço de memória crítica. Documentos arqueológicos, como os achados no Vale da Gafaria, revelam a brutalidade do comércio de escravos: mais de 150 esqueletos de africanos, descartados como mercadoria quando doentes, testemunham as condições desumanas deste período.
Hoje, o Mercado de Escravos funciona como um centro cultural que permite compreender a ligação de Lagos às rotas comerciais do século XV, convidando os visitantes a refletir sobre um capítulo difícil da história portuguesa.
see less