O açude de Tomar, construído no final do século XVIII no rio Nabão, é um elemento-chave da história industrial portuguesa. Erguido para aproveitar a energia hidráulica, este complexo sistema de represamento permitiu o funcionamento da primeira fábrica de fiação de algodão do país.
A estrutura angular, assente no leito rochoso do rio, desenvolve-se em dois lanços de diferentes comprime…
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O açude de Tomar, construído no final do século XVIII no rio Nabão, é um elemento-chave da história industrial portuguesa. Erguido para aproveitar a energia hidráulica, este complexo sistema de represamento permitiu o funcionamento da primeira fábrica de fiação de algodão do país.
A estrutura angular, assente no leito rochoso do rio, desenvolve-se em dois lanços de diferentes comprimentos - 68 e 42 metros - com uma largura que varia entre 1,64 e 9,65 metros. Um canal de 1.141 metros conduzia a água para a fábrica, alimentado por cinco comportas, garantindo o funcionamento eficiente do sistema produtivo.
Fundada em 1789 pelos industriais franceses Jácome Ratton e Timotheo Lecussan Verdier, a fábrica rapidamente se modernizou, incorporando tecnologias britânicas inovadoras. Foi pioneira em vários aspetos: primeiro espaço fabril a usar iluminação elétrica e uma das poucas fiações que sobreviveram no início do século XIX.
O açude não representa apenas um elemento técnico, mas um marco da transformação económica de Tomar. Fixou comunidades, impulsionou o desenvolvimento local e testemunha a transição de Portugal de entreposto colonial para território industrial.
Hoje, o local integra projetos de requalificação urbana, transformando-se num espaço de memória industrial e potencial equipamento cultural.
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